love me boy

kill me machine

foto pedro braga

foto pedro braga

foto bruno barreto

foto pedro braga

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O encenador e performer João de Ricardo, em função do segundo ano de residência da Cia. Espaço em BRANCO no projeto Usina das Artes, apresentou a performance em processo Love me Boy Kill me MACHINE. A performance foi apresentada durante dez meses, uma vez por mês, como um trabalho em processo no CÉREBRO, sala 504 da Usina do Gasômetro, sede da Cia. Espaço em BRANCO. Após isso ainda fez apresentações no projeto Cenas Diversas da Casa de Cultura Mário Quintana e na Kza Terezinha.

A cada performance o trabalho ganhou forma frente ao público. A opção por um trabalho que vai sendo atravessado pelo tempo aponta para o paradoxo espetáculo dissolvido / vida adensada, idéia central no trabalho de João de Ricardo. Ao apostar em uma metodologia onde preparação e apresentação se fundem, o artista mantém a energia crua da criação, dividindo com o público o prazer e a surpresa que emergem do encontro.

João de Ricardo radicaliza o caráter autoral do seu trabalho assinando do texto a atuação, além dos demais campos plásticos-sonoros que compõe a performance.

LOVE me BOY KILL me MACHINE foi escrita entre os anos 2006 e 2008. É uma carta enviada ao futuro sobre o corpo gay e como o HIV pode servir de metáfora sobre o controle da sociedade heteronormativa sobre o corpo gay. O vírus se instala no corpo e no coração dos homens enquanto máquina de morte. No texto temos operações intertextuais no embate entre duas identidades espelhadas: Alan Turing e HAl9000. Alan Turing foi um cientista, matemático, pai da computação e dos computadores e pioneiro no estudo da Inteligência Artificial que, devido a ser gay foi condenado e forçado a um tratamento de castração química, vindo a cometer o suicídio com 41 anos. Um personagem da vida real. O outro é Hal9000, uma voz elegante, um super-computador, personagem vindo da ficção-científica, vilão sempre lembrado pela sofisticação e frieza no clássico filme de Stanley Kubrick “2001: uma odisséia no espaço”. Sonho e pesadelo de Alan.

Num momento onde tendências de direita se erguem na política internacional refletindo-se em atos de extrema violência contra populações LGBTQ+, mais do que uma ação de arte, LOVE me BOY KIll me MACHINE se ergue como um manifesto de amor e orgulho.

 

ficha técnica

Performance, texto, videos, som e produção: João de Ricardo - JdR

Colaboraram com o projeto: Filipe Catto, Sissi Betina Venturin, Raphael Jacques, Eduardo Dávila, João Gabriel Om, Guilherme Pereira, Julha Franz, Bruno Gularte Barreto, Andrew Tassinari, Alexandra Dias, Cecé Pereira e Pedro Braga.

Fotos: Pedro Braga e Bruno Gularte Barreto